Você Falou Comigo?

Você Falou Comigo?
É Que Eu Estava MESMO Te Ignorando!!

domingo, 15 de agosto de 2010

Um Domingo de Agosto.

Brutalidade que me incomoda nesta tarde de domingo, onde o sol parece afastar toda a imundície e sordidez desta vizinhança tão agradável em que vivo. O cachorro corre no gramado lá fora, e de vez em quando, deita na grama e se esfrega nela, com a boca aberta e língua para fora, no que me parece um grande sorriso infantil. A simplicidade disso me faz sentir muito pequeno e tolo.
Parece até indigno (e um tanto perturbador...) que a motivação que encontro para postar venha de fonte tão sórdida e horrível (diga-se de passagem, tenho cada vez menos motivação para escrever qualquer coisa).
Ivan amava Dimitria. Dimitria era jovem, talvez insensível aos avanços do homenzinho fracassado e triste que morava no terreno da escola em que ela estudava. Ivan não aguentou mais e matou a garota a marretadas. Ainda matou outra. Escondeu os corpos numa fossa, e os retirou de lá, para incinerá-los. As cinzas serviram de adubo para a horta da escola.
Percebo que existem coisas bem mais graves nas escolas do país do que o estado de abandono em que a Educação, em geral, se encontra.
Como alguém assim pôde conviver com adolescentes durante tanto tempo? E mais: ninguém percebeu o que estava acontecendo entre essas pessoas? Será que num ambiente tão variado e heterogêneo que é um colégio, absolutamente NINGUÉM leu os sinais de que uma coisa dessas estava para acontecer?

As outras notícias não me animam em nada, tão velho que me sinto ao constatar que meus conceitos de segurança pública, e segurança pessoal, não passam de fantasias, de alegorias de quem teve uma vida bastante protegida, e leu ficção demais. O senso implacável de justiça daqueles seres míticos, unidimensionais, que muitas vezes representaram para mim a bússola moral em uma idade em que todos precisamos de orientação e modelos, atualmente parece cada vez mais distante, risível e anacrônico. O inocentes não parecem mais tão dignos asssim do sacrifício pessoal que eu faria, se fosse jovem, forte e tivesse a motivação correta.

E, mesmo se ainda estivesse disposto, eu teria sequer o direito?

Meus punhos teriam sido o suficiente para deter a maré de apatia que acabou por engolfar tudo ao meu redor? Ou eu também teria sucumbido às tentações do poder fácil, da auto-indulgência, da adulação de pessoas públicas poderosas que, à princípio, lambem sua mão e te carregam até o pódio, mas te jogam aos lobos tão logo você perca sua utilidade?

Eu teria me tornado um justiceiro? Ou apenas um carrasco glorificado, à serviço de uma sociedade monstruosa, que prefere punir do que prevenir?




http://www.odiario.com/policia/noticia/330050/maniaco-da-fossa-mata-menina-a-marretadas.html


Tenho muita vontade de ir viver num lugar ignorado, com pouca gente, e sem fechaduras e propriedades privadas. E sem monstros.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Maringá, PR: Capital das Bandas de Bosta! - parte 2

Então, foi assim: 2009 acabou, o fim de ano foi bem mais movimentado do que eu contava, teve muita festa, muita bebedeira, e tive até vontade de fechar este blog, devido ao forte sentimento de amizade e calor humano que senti, por amigos e amigas que casavam, que me visitavam, com quem eu conversei neste fim de ano. Parecia que muito do que escrevi ano passado perdera o sentido. Quando me dei conta, janeiro já estava no meio.
O verão esquentou, em mais de um sentido. Tempestades e enchentes pelo país afora evidenciam nossa carência de políticas públicas efetivas para lidar de modo civilizado com questões como habitação e saneamento básico, e assistimos diariamente a luta de trabalhadores de baixa renda - e com menos frequência, gente da classe média! - para chegar em casa, ou sair dela, no meio de tanta água. Enquanto isso, em nossa cidadezinha feita de Lego e protegida das agruras do mundo por uma membrana espelhada que faz com que todos vejam apenas o que gostam, a reação de tipinhos que não foram criados para aceitar plenamente conceitos como liberdade de expressão e democracia chegou a me espantar. Achei até que tivesse sido ameaçado de morte, além de ser chamado, por tabela, de idiota. O trecho de um comentário sobre o post anterior à esse é um exemplo do que tive de aturar, em algumas ocasiões, nos últimos meses:
"Interessante esse estilo meio Rorschach de escrever, mas lembre-se que ele morre de forma idiota, o que tira grande parte de sua grandiosidade adquirido durante a história."

Então, Rorschach morre de forma "idiota"? Que coisa, na época em que li Watchmen, me pareceu que por não concordar com a utopia de Veidt e do Dr. Manhattan, Rorschach opta por um suicídio induzido por não suportar a idéia de viver em um mundo de mentiras e subterfúgios, mantidos por pessoas moralmente falidas (de acordo com a interpretação DELE, não minha!)e que pelo visto, não se importam muito com o fato de terem se desumanizado em nome de um suposto "bem maior".
Mas, acho que para certas pessoas, somente a versão cinematográfica usurpada do criador de Watchmen já os credencia o bastante para me julgarem, e me ameaçarem de morte, mesmo de forma velada, por expor minhas opiniões em um blog pessoal, ao qual nunca convidei ninguém a postar suas opiniões à meu respeito, ou à respeito do que escrevo.
Pessoas conhecidas, e por quem tenho um grande respeito e admiração vieram me questionar sobre a postagem anterior. Assim como manifestações de desconhecidos, registradas nos comentários como o trecho citado acima, me fizeram perceber que não importa o quanto você pense estar sendo discreto, claro e coerente na apresentação de suas idéias, sempre vai haver alguém disposto a questionar, não apenas suas opiniões, mas o simples direito inalienável de expressá-las, como se opiniões bem fundamentadas fossem crime hediondo.
Pois bem, meu caro "Tiago" (supondo que esse seja seu nome mesmo, e não um perfil falso que você em sua covardia usou para se aproximar)não apenas sua opinião sobre mim, sobre Rorschach e a renda que papai deixou pra você não me interessam, como vou arriscar um palpite à seu respeito, tomando a mesma liberdade que você tomou ao me julgar: você é um mauricinho, e toca mal em alguma banda de bosta. Agradeça por eu não ter certeza de quem é, pois caso saiba, você terá o privilégio de ser exposto e ridicularizado por mim, alguém que você, pelo visto, odeia e despreza por ser livre para falar e escrever o que pensa. Sinceramente, eu não me importo por você ter sido criado em uma atmosfera de repressão e autocongratulação, cercado de amigos ainda mais covardes e vazios do que você. Essa mesma criação o leva a visitar blogs de gente que escreve bem melhor do que você consegue, sequer, raciocinar, e registrar autocríticas do tipo:
"Outra dúvida pertinente, estaria eu fazendo esse contraponto por necessidade de me auto-afirmar, sendo eu filhote de classe média com conhecimento musical adquirido online?"

Não posso responder suas indagações, filho. Estaria mentindo se dissesse que lamento por você, mas a verdade é que não me importo. Mesmo. Agora, se você puder me ignorar pelo resto da vida, e não fingir simpatia da próxima vez em que nos encontrarmos e vier me cumprimentar hipocritamente, eu ficaria sinceramente grato a você. De gente hipocrita, burra, preconceituosa e mal amada, minha vida permanece tristemente cheia, até eu decidir me livrar dessas pessoas.



(Fim da parte 2)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Maringá, PR: Capital das Bandas de Bosta!

Ao aceitar o convite de um amigo pra participar de um programa de rádio, não imaginava que certas percepções seriam definitivamente confirmadas. O projeto em si é uma iniciativa da direção da própria estação, que pertence à Universidade Estadual daqui, e procura abrir espaços da programação para colaboradores externos, que possam contribuir para a diversidade de influências culturais da emissora, ao mesmo tempo em que a exime da responsabilidade e do compromisso de pagar por mão-de-obra "especializada" que produza programas com um minimo de qualidade e padrões. Quanto ao último, creio sinceramente que seja algo fácil de ser mantido, mas quanto à qualidade, duvido sinceramente que seja uma preocupação que me aflija, principalmente se levar em conta a situação em que me encontro, trabalhando de graça pra contribuir pro projeto cultural de alguém.
De qualquer modo, queixas à parte, tem sido uma época divertida, o que ameniza as dificuldades e falta de perspectivas deste ano horrível que tenho passado. O programa é leve, repleto de conversas e músicas diversas, humor e comentários sarcásticos por parte dos três integrantes. Nem reclamo de ter de pesquisar um pouco para levar material, pois isso me faz pensar menos naquilo que tem me incomodado de verdade, e distrai minha atenção do que vou enfrentar em pouco tempo.

Recentemente, numa conversa com jornalistas que estavam de passagem por aqui, comentei sobre uma característica marcante da assim chamada "cena cultural independente" (ênfase nas aspas!) desta cidade, e sua suposta repercussão nos meios similares, país afora. Essa característica me parece digna de nota devido ao puro teor elitista e sectário que aplica à "cena", que é a tendência das bandas de rock, sobretudo, de serem formadas por pessoas oriundas da mesma classe social privilegiada, o que determina que essas iniciativas apareçam mais em função do poder aquisitivo de seus integrantes do que do talento e esforço pessoal em si. Resumindo: o rock enquanto hobby de filhotes da classe média que acreditam-se talentosos em sua rebeldia de shopping center, e conhecimento musical adquirido online.

É comum por aqui a noção de que "a cena não vai pra frente porque não há união." Ora, se interpretarmos a "cena" como um reflexo do estrato social em que foi gerada, é natural que não haja união! E depois, certas pessoas cujos rumos, escolhas, e cujas oportunidades que lhes foram presenteadas na vida, ganharam um nível de sucesso profissional e ascenção social muito superiores do que a maioria, acabam por se considerar dignos do luxo de exercerem seus hobbys de forma mais efetiva, e se propõem a exibir seu suposto e auto-proclamado "talento" (novamente, ênfase nas aspas) para um público que nunca teve senso crítico apurado, no que diz respeito à identificação de tendências e ideologias que possam contribuir para o crescimento intelectual do indivíduo. Em suma, uma geração de auto-proclamados artistas, medíocres por excelência, e que encontram público cativo entre pessoas tão ou até mais medíocres do que eles mesmos.

http://upload.stripgenerator.com/stripgenerator/strip/27/60/81/00/00/full.png

Sendo crias de uma classe média que nunca os julga desfavoravelmente, e tendo pais que aplaudem cada ato de "rebeldia criativa" de seus filhotes brancos e de sólida formação cristã, essa mesma geração de não-entidades, pautada pela auto-indulgência e falta crônica de uma cultura geral, se veste confortavelmente de seus estereótipos favoritos (algo que possam despir facilmente quando é necessário e oportuno) e vão às ruas reivindicar o que em outras épocas era a trincheira daqueles realmente talentosos e excluídos de todo um contexto de produção cultural devido à diversos fatores, como etnia, poder aquisitivo, acesso aos meios de comunicação, etc.


Não contentes com todas as facilidades que seus papais e mamães (e amigos de papai e mamãe) lhes garantiram na hora de passar de ano, dirigir carros antes da idade, entrar e sair da universidade sem maiores complicações e posições de destaque em empresas ou quaisquer outros empreendimentos, uso de drogas e álcool sem a menor moderação, essa classe média do rock também é fortemente caracterizada por uma total incapacidade de ouvir e/ou aceitar críticas, respondendo à elas (caso apareçam) de formas muitas vezes até exageradas, como ameaças e agressões físicas, além das costumeiras e pueris agressões verbais. De que adianta tanta educação (formal) e seus diplomas, seu orgulho de serem filhos ou netos de imigrantes europeus ou japoneses, seu suposto talento artístico (sobretudo musical), se jamais entenderam uma primordial característica humana, a sensibilidade estética: você pode até estar 100% certo de que o que faz é bom e lindo, mas nem todos vão concordar com você, pois não tiveram a mesma formação que você, e muitas vezes, são mais talentosos que você, independente dos seus instrumentos caros, que você não toca direito mas adora exibir para seus coleguinhas de mediocridade.



(Fim da parte 1...)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Porco-Espinho Emocional.

Ser repulsivo é quase um estado de espírito, é como exalar uma aura de pura maldade química ao redor de si, afastando a todos, bons e maus no processo. É como um superpoder, desses de histórias em quadrinhos. E, como não podia deixar de ser, causa um misto de contra-repulsa e admiração, um carisma pelo feio e anti-social que não sei explicar bem.
Sinto que estou no processo de me tornar um grande filho da puta. Não na acepção do termo, lógico, mas um filho da puta típico, desses que fodem com as pessoas e nem sentem remorso. É engraçado até constatar que, nesta idade em que me encontro, depois de ter sido considerado um cara tão "bacana" por diversas pessoas, de diferentes esferas, diferentes círculos de convivência e origens diversas, percebo que estou desfazendo amizades com uma certa eficiência e de uma forma tão metódica, que parece até assassinato em série.


Após a recente "descoberta" deste blog por parte de um coadjuvante, tenho pensado bastante em ir eliminando de vez, sistematica e implacavelmente, meu convívio social, dados os meus planos pro futuro próximo. Eu não posso carregar ninguém comigo, mesmo, e está cada vez mais difícil evitar de considerar todo e qualquer convívio social como uma espécie de punição por não ter construído minha longa estrada antes, aquela que me levaria pra bem longe, e depois não seria mais usada por ninguém. Frequentemente, sinto como se estivesse sendo escrutinizado por quem não vale nem um peido meu, e ainda assim, certas pessoas (auto-proclamadas "amigas") insistem em me dizer o quanto eu sou um desperdício ambulante, de acordo com seus dogmazinhos de gente burra e desesperada por fazer a diferença na vida de alguém.

Meses atrás, durante uma noite de bebedeira com uns conhecidos, um deles, alguém que já considerei um amigo genuíno, me jogou isso na cara, como se fosse um irmão mais velho ou mesmo meu pai. É evidente que na hora retruquei, mas sinto que desde então não há mais sentido em me aproximar dessa pessoa. Que ele fique com seus conceitozinhos de garoto branco e pequeno burguês, que casou com sua boneca inflável que parece uma atriz de seu seriado favorito pra satisfazer os anseios de sua família também burguesa e mesquinha. Suas definições pré-moldadas de sucesso, fracasso e modelos são menos que papel higiênico pra mim, que sempre soube que estou sozinho.

Sempre soube que estarei sozinho. Na estrada.




terça-feira, 3 de novembro de 2009

A cada vez que a roda gira, esmaga mais e mais minhas expectativas...

Manhã de sol, segunda-feira. Um fim-de-semana quente e divertido, com feriado prolongado, piscina e riso, muito riso. Então, a segunda-feira...

Aparentemente, fui descoberto. O blog quase anônimo que pus no ar despertou atenção de gente que eu nunca desconfiaria que sequer se importaria com as coisas que escrevo, já que na vida "real" nunca manifestaram interesse genuíno pelas minhas opiniões. E, pelo visto, numa próxima edição daquelas "reuniõezinhas típica daquelas pessoas que jurei odiar, mas que insisto em me aproximar", já garanti o assunto por horas e horas, na pauta da nata da burguesia branca e saudável.

E mais uma vez, sou forçado a ver o quanto sou culpado pelas coisas que me são infligidas por parte de gente que representa tudo o que mais desprezo, comprovando outra vez que eu, sim, é que represento tudo o que eles mais odeiam. Seja lá o que represento pra alguém...

Mas, agora a leiteira transbordou, e não consigo mais esconder aquilo que venho cultivando a muitos anos, internamente, nesta terra de brancos. Seja o que for, o jeito é enfrentar de cabeça erguida, e ignorar cada vez mais e com veemência os conceitos deturpados de pessoas que acham que tem o direito de se sentir ofendidas pelas minhas atitudes, sem nunca, NUNCA terem se aproximado de fato e tentado, sequer, saber como eu me sentia quando era mais fraco, e a vítima favorita das agressões de quem me despreza e finge afeto, por uma questão de curiosidade. Seus auto-proclamados atos de amizade me parecem ainda mais irrisórios quando penso no preço a pagar, para pertencer.

Essa época acabou. Eu só pertenço a mim, e só percebo isso agora.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Da Lama à Lona: a Virada do Amor

Sábado passado, dia 24 de outubro, estive num evento do tipo que não via há tempos: um festival de rock.
Não um show de rock, num bar ou algo assim, mas um autêntico festival, sob uma lona, num dia chuvoso e surpreendentemente festivo! Várias bandas locais, e um público muito feliz (aparentemente) por estar ali, à despeito do clima. Horas antes, um forte vento ameaçou carregar a lona, o que teria acabado com tudo, antes mesmo de começar. Felizmente, nada mais grave aconteceu, e a chuva amainou, até parar completamente.


A lona aguentou, e o público também. No final da tarde, as pessoas foram chegando em blocos, e logo o lugar adquiria aquele aspecto de festival, com gente amontoada ao ar livre, música, cerveja e comida. Confesso que me afastei para uma área coberta, com cadeiras, pois estava REALMENTE cansado, mas só fui embora muito depois da última banda.

Excelente fim-de-semana, como não tinha há meses! Do tipo que me faz esquecer o quanto preciso mudar de vida, saindo dessa cidade. Sábado foi um dia do tipo que eu só tinha a mais de dez anos atrás. Quando era menos preocupado com coisas tão imateriais que nem sei o nome delas. E quando não me sentia tão pesado por dentro, velho e esquecido.

Preciso de mais festivais.

Fúria dos Elementos!!

E assim começou a semana, essa árvore colossal partiu ao meio, e caiu no quintal aqui de casa! Não houve danos, mas a casa vizinha foi um pouco atingida, e o enorme tronco destruiu a calha e cerca de trinta telhas. Sem mortos nem feridos, mas o susto já foi um lembrete importante do tipo de coisa com a qual temos de começar a aprender a lidar, de hoje em diante, nesta região do país: o clima enfurecido.


Os trabalhadores da Prefeitura vieram aqui e resolveram tudo até rápido, considerando o nível do serviço público nessa cidade, nos últimos anos. Motosserras, grua, guindaste e tudo foi resolvido. Não tirei mais fotos por estar usando as últimas pilhas, já bem gastas.






















Fico me perguntando se já não era hora de optarmos entre fiação aérea ou cidade arborizada. Pelo visto, os dois conceitos são difíceis de serem conciliados.