Você Falou Comigo?

Você Falou Comigo?
É Que Eu Estava MESMO Te Ignorando!!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

MÚSICA DE CARA CABAÇO

Dificilmente, sou a pessoa certa para escrever/falar sobre música, por motivos tão óbvios, principalmente para aqueles que me conhecem, que chega a parecer coisa de cara frustrado. Provavelmente por eu ser MESMO frustrado, em vários aspectos da minha vida pessoal, inclusive o da “manifestação cultural”, é que me sinto compelido a escrever um parágrafo ou dois, nessa madrugada, insone e meio bêbado.
Não faz muito tempo, uma conhecida minha me contou que uma pessoa, mais ou menos ligada à “cena” musical dessa cidade de bosta, lhe disse que eu não deveria ficar expressando minhas opiniões sobre coisas que eu não domino, ou não conheço “a fundo”, pois, de acordo com essa pessoa, eu não tenho (teria) o conhecimento necessário pra criticar. Pois bem, a pessoa em questão, não apenas canta em uma banda cover desacreditada e pouco freqüente, como seu “projeto de música própria” nunca tocou em nenhum evento que se preze, tendo aparecido apenas em festinhas e nos próprios ensaios, nada que envolvesse uma divulgação de fato, ou sequer resenhas em bloguinhos de gente muito mais frustrada e maldosa do que eu, com muito mais ódio no coração. Essas coisas não me alimentam mais nem a curiosidade, mas em madrugadas como essa, quando só quero ouvir Kiss e GOSTAR disso, fico pensando na minha infância rica e saudosa, no Rio, e na minha adolescência pobre e cercada de caipiras, aqui no gulag.


Ainda ando com caipiras, não posso evitar, afinal de contas é isso, ou o ostracismo bêbado dos dezenove anos, de antes da época em que percebi que posso me fazer passar por um deles; seguir à risca o ditado “se agires como um imbecil, ele o tratarão com a um semelhante”, o que explica meu flerte com RPG e outras manifestações de eliminação do ego em detrimento de um arremedo de vida social. Anos após essa fase triste, pessoas que cheguei a considerar amigas declararam que “não fosse o RPG, hoje em dia estariam internadas”, ou qualquer coisa assim. Fico pensando que, se não fosse o RPG eu não teria tido o desprazer de ter travado conhecimento com algumas das PIORES pessoas que devem ter nascido, sub-gente que se odeia tanto a ponto de projetar seus preconceitos de jeca em pessoas bem mais cultas e capazes do que eles, e se considerarem uma espécie de elite, e essa merda toda... O mesmo vale pra maioria dos auto-intitulados fãs de história em quadrinhos, gente baixa e fedida.
Mas, mesmo com essa bagagem de péssimas influências e desastrosas relações sociais, e longas conversas onde eu prendia a respiração, por educação, e fazia uma cara de normalidade enquanto era pulverizado pelo mau-hálito visceral de pessoas de formação questionável, nada me preparou para a possibilidade de envelhecer no mesmo mundo de gente ainda mais mal-amada, ainda mais triste, e, estranhamente, tão cheia de si: blogueiros de música.


(fim da parte 1)


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Serenity In Murder

Eu nunca tive amigos.

Hoje em dia, sei disso há bastante tempo. Mas juro que houve um tempo em que acreditava no contrário. Eu era mais jovem, mais idiota, e vivia cercado de gente que, salvo raras exceções, não poderia se importar menos com o que eu pensava, ou como me sentia.

Ainda tenho contato com gente assim. Mesmo que nos últimos dois anos eu tenha conseguido me afastar de muita gente que nunca acrescentou coisa nenhuma que valha a pena em minha vida, ainda tenho laços a cortar. E talvez, tenho pensado, parar de beber seja um bom incentivo para continuar este processo de afastamento e recuperação.

Sinto-me como um desses ex-viciados que encontram a redenção numa mancha no vidro do freezer da loja de conveniência, quando todas as manhãs a imagem no espelho me cobra pelos anos em que desviei o olhar e negligenciei meu ego em detrimento de um convívio social que não valeu muito, agora que posso olhar para tudo aquilo de uma distância considerável. A maioria das situações, assim como a maioria das pessoas a quem me associei a partir de determinado ponto da minha juventude pouco fizeram para que eu me sentisse, de fato, parte de... do que quer que fosse. Longos anos de exposição a diversos tipos de humilhação e auto-anulação somente para não ficar sozinho. Medo do escuro, talvez.

Vivo em um lugar do qual nunca vou gostar, e cansei de tolerar. Pessoas que deveriam me confortar preferem, freqüentemente, me confrontar sob diversos pretextos: tem gente que não consegue entender que posso enxergar através de QUALQUER UM, e que muito pouco me escapa, tamanho o meu conhecimento do caráter e da índole dos caipiras brancos junto aos quais fui obrigado a crescer.

Sei que me odeiam pelo meu sotaque, minha aparência física, roupas, atitudes, este blog e meu uso constante de expressões como... “caipiras brancos”. Assim como sei que me invejam a distância por motivos que nunca vou entender. Os que se aproximam o bastante pra fingir simpatia e ensaiar alguns elogios vagos parecem mais odiosos em sua insinceridade.

Mas ninguém me inspira mais a escrever essas coisas do que você.

Você, você mesmo, que se doeu quando leu a frase acima, você que provavelmente chegou até aqui por algum link enviado discretamente em alguma conversa no MSN com outro caipira branco que esteve aqui, ou que talvez até já tenha vindo aqui antes para se certificar de que não era de você que eu estava falando quando disse que essa cidade era a Capital das Bandas de Bosta, ou que entrou somente para achar munição para me odiar ainda mais por eu ter te chamado de mauricinho pau no cu, é EXATAMENTE de você que estou falando...

Você, que me inspira a ter fantasias de genocídio e notoriedade sangrenta, me inspira a me tornar um estereótipo de filmes ruins sobre serial killers. Você, que não deveria ter cruzado meu caminho. Você, que só se lembra de mim quando lhe é conveniente, quando precisa de algum idiota para fazer algum servicinho idiota e humilhante (e normalmente sem remuneração!), ou você que até respeita meus talentos, mas se recusa a pagar por eles (além de uma mal disfarçada gorjeta). É, você. Todos vocês...

Tenham muito cuidado. E mantenham uma distância profilática, pois eu sou um homem muito doente.


(Será que é necessário acrescentar que sei diferenciar os falsos dos sinceros? Bem, por via das dúvidas, se você não se encaixa acima, é sempre bem-vindo em minha casa, ou minha mesa.)


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

E lá vem mais treta e aporrinhação...

Gente cuzona não deveria sair de casa. Quer dizer, pelo menos, não deveria dar o ar de sua (des)graça em lugares e ocasiões onde pessoas de bem (?!) estão tentando se divertir. Cuzões deveriam se trancar em seus condomínios fechados, e ficar lambendo as solas de sua coleção de sapatos caros, num frenesi masturbatório mais condizente com quem acha que é o dono do mundo.
Agora, eu pergunto: por que porra alguém que, evidentemente, odeia gente e demonstrações de felicidade, e festas, ficaria bem na frente do palco onde uma banda excelente está fazendo um show igualmente excelente e animado? Depois, dizem que eu sou radical... Mas, É CLARO que vou ficar puto com idiotas assim, e não é de hoje. Odeio mauricinhos, ponto final. Pra mim, todo mauricinho deveria sofrer um seqüestro-relâmpago pra aprender um mínimo de civilidade e respeito ao próximo.

Bem, foda-se.

domingo, 15 de agosto de 2010

Um Domingo de Agosto.

Brutalidade que me incomoda nesta tarde de domingo, onde o sol parece afastar toda a imundície e sordidez desta vizinhança tão agradável em que vivo. O cachorro corre no gramado lá fora, e de vez em quando, deita na grama e se esfrega nela, com a boca aberta e língua para fora, no que me parece um grande sorriso infantil. A simplicidade disso me faz sentir muito pequeno e tolo.
Parece até indigno (e um tanto perturbador...) que a motivação que encontro para postar venha de fonte tão sórdida e horrível (diga-se de passagem, tenho cada vez menos motivação para escrever qualquer coisa).
Ivan amava Dimitria. Dimitria era jovem, talvez insensível aos avanços do homenzinho fracassado e triste que morava no terreno da escola em que ela estudava. Ivan não aguentou mais e matou a garota a marretadas. Ainda matou outra. Escondeu os corpos numa fossa, e os retirou de lá, para incinerá-los. As cinzas serviram de adubo para a horta da escola.
Percebo que existem coisas bem mais graves nas escolas do país do que o estado de abandono em que a Educação, em geral, se encontra.
Como alguém assim pôde conviver com adolescentes durante tanto tempo? E mais: ninguém percebeu o que estava acontecendo entre essas pessoas? Será que num ambiente tão variado e heterogêneo que é um colégio, absolutamente NINGUÉM leu os sinais de que uma coisa dessas estava para acontecer?

As outras notícias não me animam em nada, tão velho que me sinto ao constatar que meus conceitos de segurança pública, e segurança pessoal, não passam de fantasias, de alegorias de quem teve uma vida bastante protegida, e leu ficção demais. O senso implacável de justiça daqueles seres míticos, unidimensionais, que muitas vezes representaram para mim a bússola moral em uma idade em que todos precisamos de orientação e modelos, atualmente parece cada vez mais distante, risível e anacrônico. O inocentes não parecem mais tão dignos asssim do sacrifício pessoal que eu faria, se fosse jovem, forte e tivesse a motivação correta.

E, mesmo se ainda estivesse disposto, eu teria sequer o direito?

Meus punhos teriam sido o suficiente para deter a maré de apatia que acabou por engolfar tudo ao meu redor? Ou eu também teria sucumbido às tentações do poder fácil, da auto-indulgência, da adulação de pessoas públicas poderosas que, à princípio, lambem sua mão e te carregam até o pódio, mas te jogam aos lobos tão logo você perca sua utilidade?

Eu teria me tornado um justiceiro? Ou apenas um carrasco glorificado, à serviço de uma sociedade monstruosa, que prefere punir do que prevenir?




http://www.odiario.com/policia/noticia/330050/maniaco-da-fossa-mata-menina-a-marretadas.html


Tenho muita vontade de ir viver num lugar ignorado, com pouca gente, e sem fechaduras e propriedades privadas. E sem monstros.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Maringá, PR: Capital das Bandas de Bosta! - parte 2

Então, foi assim: 2009 acabou, o fim de ano foi bem mais movimentado do que eu contava, teve muita festa, muita bebedeira, e tive até vontade de fechar este blog, devido ao forte sentimento de amizade e calor humano que senti, por amigos e amigas que casavam, que me visitavam, com quem eu conversei neste fim de ano. Parecia que muito do que escrevi ano passado perdera o sentido. Quando me dei conta, janeiro já estava no meio.
O verão esquentou, em mais de um sentido. Tempestades e enchentes pelo país afora evidenciam nossa carência de políticas públicas efetivas para lidar de modo civilizado com questões como habitação e saneamento básico, e assistimos diariamente a luta de trabalhadores de baixa renda - e com menos frequência, gente da classe média! - para chegar em casa, ou sair dela, no meio de tanta água. Enquanto isso, em nossa cidadezinha feita de Lego e protegida das agruras do mundo por uma membrana espelhada que faz com que todos vejam apenas o que gostam, a reação de tipinhos que não foram criados para aceitar plenamente conceitos como liberdade de expressão e democracia chegou a me espantar. Achei até que tivesse sido ameaçado de morte, além de ser chamado, por tabela, de idiota. O trecho de um comentário sobre o post anterior à esse é um exemplo do que tive de aturar, em algumas ocasiões, nos últimos meses:
"Interessante esse estilo meio Rorschach de escrever, mas lembre-se que ele morre de forma idiota, o que tira grande parte de sua grandiosidade adquirido durante a história."

Então, Rorschach morre de forma "idiota"? Que coisa, na época em que li Watchmen, me pareceu que por não concordar com a utopia de Veidt e do Dr. Manhattan, Rorschach opta por um suicídio induzido por não suportar a idéia de viver em um mundo de mentiras e subterfúgios, mantidos por pessoas moralmente falidas (de acordo com a interpretação DELE, não minha!)e que pelo visto, não se importam muito com o fato de terem se desumanizado em nome de um suposto "bem maior".
Mas, acho que para certas pessoas, somente a versão cinematográfica usurpada do criador de Watchmen já os credencia o bastante para me julgarem, e me ameaçarem de morte, mesmo de forma velada, por expor minhas opiniões em um blog pessoal, ao qual nunca convidei ninguém a postar suas opiniões à meu respeito, ou à respeito do que escrevo.
Pessoas conhecidas, e por quem tenho um grande respeito e admiração vieram me questionar sobre a postagem anterior. Assim como manifestações de desconhecidos, registradas nos comentários como o trecho citado acima, me fizeram perceber que não importa o quanto você pense estar sendo discreto, claro e coerente na apresentação de suas idéias, sempre vai haver alguém disposto a questionar, não apenas suas opiniões, mas o simples direito inalienável de expressá-las, como se opiniões bem fundamentadas fossem crime hediondo.
Pois bem, meu caro "Tiago" (supondo que esse seja seu nome mesmo, e não um perfil falso que você em sua covardia usou para se aproximar)não apenas sua opinião sobre mim, sobre Rorschach e a renda que papai deixou pra você não me interessam, como vou arriscar um palpite à seu respeito, tomando a mesma liberdade que você tomou ao me julgar: você é um mauricinho, e toca mal em alguma banda de bosta. Agradeça por eu não ter certeza de quem é, pois caso saiba, você terá o privilégio de ser exposto e ridicularizado por mim, alguém que você, pelo visto, odeia e despreza por ser livre para falar e escrever o que pensa. Sinceramente, eu não me importo por você ter sido criado em uma atmosfera de repressão e autocongratulação, cercado de amigos ainda mais covardes e vazios do que você. Essa mesma criação o leva a visitar blogs de gente que escreve bem melhor do que você consegue, sequer, raciocinar, e registrar autocríticas do tipo:
"Outra dúvida pertinente, estaria eu fazendo esse contraponto por necessidade de me auto-afirmar, sendo eu filhote de classe média com conhecimento musical adquirido online?"

Não posso responder suas indagações, filho. Estaria mentindo se dissesse que lamento por você, mas a verdade é que não me importo. Mesmo. Agora, se você puder me ignorar pelo resto da vida, e não fingir simpatia da próxima vez em que nos encontrarmos e vier me cumprimentar hipocritamente, eu ficaria sinceramente grato a você. De gente hipocrita, burra, preconceituosa e mal amada, minha vida permanece tristemente cheia, até eu decidir me livrar dessas pessoas.



(Fim da parte 2)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Maringá, PR: Capital das Bandas de Bosta!

Ao aceitar o convite de um amigo pra participar de um programa de rádio, não imaginava que certas percepções seriam definitivamente confirmadas. O projeto em si é uma iniciativa da direção da própria estação, que pertence à Universidade Estadual daqui, e procura abrir espaços da programação para colaboradores externos, que possam contribuir para a diversidade de influências culturais da emissora, ao mesmo tempo em que a exime da responsabilidade e do compromisso de pagar por mão-de-obra "especializada" que produza programas com um minimo de qualidade e padrões. Quanto ao último, creio sinceramente que seja algo fácil de ser mantido, mas quanto à qualidade, duvido sinceramente que seja uma preocupação que me aflija, principalmente se levar em conta a situação em que me encontro, trabalhando de graça pra contribuir pro projeto cultural de alguém.
De qualquer modo, queixas à parte, tem sido uma época divertida, o que ameniza as dificuldades e falta de perspectivas deste ano horrível que tenho passado. O programa é leve, repleto de conversas e músicas diversas, humor e comentários sarcásticos por parte dos três integrantes. Nem reclamo de ter de pesquisar um pouco para levar material, pois isso me faz pensar menos naquilo que tem me incomodado de verdade, e distrai minha atenção do que vou enfrentar em pouco tempo.

Recentemente, numa conversa com jornalistas que estavam de passagem por aqui, comentei sobre uma característica marcante da assim chamada "cena cultural independente" (ênfase nas aspas!) desta cidade, e sua suposta repercussão nos meios similares, país afora. Essa característica me parece digna de nota devido ao puro teor elitista e sectário que aplica à "cena", que é a tendência das bandas de rock, sobretudo, de serem formadas por pessoas oriundas da mesma classe social privilegiada, o que determina que essas iniciativas apareçam mais em função do poder aquisitivo de seus integrantes do que do talento e esforço pessoal em si. Resumindo: o rock enquanto hobby de filhotes da classe média que acreditam-se talentosos em sua rebeldia de shopping center, e conhecimento musical adquirido online.

É comum por aqui a noção de que "a cena não vai pra frente porque não há união." Ora, se interpretarmos a "cena" como um reflexo do estrato social em que foi gerada, é natural que não haja união! E depois, certas pessoas cujos rumos, escolhas, e cujas oportunidades que lhes foram presenteadas na vida, ganharam um nível de sucesso profissional e ascenção social muito superiores do que a maioria, acabam por se considerar dignos do luxo de exercerem seus hobbys de forma mais efetiva, e se propõem a exibir seu suposto e auto-proclamado "talento" (novamente, ênfase nas aspas) para um público que nunca teve senso crítico apurado, no que diz respeito à identificação de tendências e ideologias que possam contribuir para o crescimento intelectual do indivíduo. Em suma, uma geração de auto-proclamados artistas, medíocres por excelência, e que encontram público cativo entre pessoas tão ou até mais medíocres do que eles mesmos.

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Sendo crias de uma classe média que nunca os julga desfavoravelmente, e tendo pais que aplaudem cada ato de "rebeldia criativa" de seus filhotes brancos e de sólida formação cristã, essa mesma geração de não-entidades, pautada pela auto-indulgência e falta crônica de uma cultura geral, se veste confortavelmente de seus estereótipos favoritos (algo que possam despir facilmente quando é necessário e oportuno) e vão às ruas reivindicar o que em outras épocas era a trincheira daqueles realmente talentosos e excluídos de todo um contexto de produção cultural devido à diversos fatores, como etnia, poder aquisitivo, acesso aos meios de comunicação, etc.


Não contentes com todas as facilidades que seus papais e mamães (e amigos de papai e mamãe) lhes garantiram na hora de passar de ano, dirigir carros antes da idade, entrar e sair da universidade sem maiores complicações e posições de destaque em empresas ou quaisquer outros empreendimentos, uso de drogas e álcool sem a menor moderação, essa classe média do rock também é fortemente caracterizada por uma total incapacidade de ouvir e/ou aceitar críticas, respondendo à elas (caso apareçam) de formas muitas vezes até exageradas, como ameaças e agressões físicas, além das costumeiras e pueris agressões verbais. De que adianta tanta educação (formal) e seus diplomas, seu orgulho de serem filhos ou netos de imigrantes europeus ou japoneses, seu suposto talento artístico (sobretudo musical), se jamais entenderam uma primordial característica humana, a sensibilidade estética: você pode até estar 100% certo de que o que faz é bom e lindo, mas nem todos vão concordar com você, pois não tiveram a mesma formação que você, e muitas vezes, são mais talentosos que você, independente dos seus instrumentos caros, que você não toca direito mas adora exibir para seus coleguinhas de mediocridade.



(Fim da parte 1...)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Porco-Espinho Emocional.

Ser repulsivo é quase um estado de espírito, é como exalar uma aura de pura maldade química ao redor de si, afastando a todos, bons e maus no processo. É como um superpoder, desses de histórias em quadrinhos. E, como não podia deixar de ser, causa um misto de contra-repulsa e admiração, um carisma pelo feio e anti-social que não sei explicar bem.
Sinto que estou no processo de me tornar um grande filho da puta. Não na acepção do termo, lógico, mas um filho da puta típico, desses que fodem com as pessoas e nem sentem remorso. É engraçado até constatar que, nesta idade em que me encontro, depois de ter sido considerado um cara tão "bacana" por diversas pessoas, de diferentes esferas, diferentes círculos de convivência e origens diversas, percebo que estou desfazendo amizades com uma certa eficiência e de uma forma tão metódica, que parece até assassinato em série.


Após a recente "descoberta" deste blog por parte de um coadjuvante, tenho pensado bastante em ir eliminando de vez, sistematica e implacavelmente, meu convívio social, dados os meus planos pro futuro próximo. Eu não posso carregar ninguém comigo, mesmo, e está cada vez mais difícil evitar de considerar todo e qualquer convívio social como uma espécie de punição por não ter construído minha longa estrada antes, aquela que me levaria pra bem longe, e depois não seria mais usada por ninguém. Frequentemente, sinto como se estivesse sendo escrutinizado por quem não vale nem um peido meu, e ainda assim, certas pessoas (auto-proclamadas "amigas") insistem em me dizer o quanto eu sou um desperdício ambulante, de acordo com seus dogmazinhos de gente burra e desesperada por fazer a diferença na vida de alguém.

Meses atrás, durante uma noite de bebedeira com uns conhecidos, um deles, alguém que já considerei um amigo genuíno, me jogou isso na cara, como se fosse um irmão mais velho ou mesmo meu pai. É evidente que na hora retruquei, mas sinto que desde então não há mais sentido em me aproximar dessa pessoa. Que ele fique com seus conceitozinhos de garoto branco e pequeno burguês, que casou com sua boneca inflável que parece uma atriz de seu seriado favorito pra satisfazer os anseios de sua família também burguesa e mesquinha. Suas definições pré-moldadas de sucesso, fracasso e modelos são menos que papel higiênico pra mim, que sempre soube que estou sozinho.

Sempre soube que estarei sozinho. Na estrada.