Você Falou Comigo?

Você Falou Comigo?
É Que Eu Estava MESMO Te Ignorando!!

sexta-feira, 25 de março de 2011

"...Keep one step ahead, while the persecutor within..."

Hoje, assim como ontem, foi um dia de fúria silenciosa. Ou nem tanto.

Andei quatro quadras até o ponto de ônibus. Já tinha desistido de ir viajar, mas depois lembrei que já tinha até comprado a passagem!! Que tipo de resolução pode se manter quando meu alter-ego passado já tomou decisões por mim? Como posso confiar em minhas decisões se preciso desistir delas por causa de ações passadas?
Só tinha duas bagagens, mas já é o bastante pra me deixar puto por não ter carro, e odiar todos os que tem.
O ponto de ônibus é na frente de um necrotério, o que serve pra ilustrar meu humor nas tardes de sol. Pra piorar, uma garota ficou puxando conversa, dessas que têm problemas mentais visíveis, e eu tentando ficar em silêncio... Imagino que a família dela deva deixar que saia sozinha justamente pra que ela ache outras pessoa pra conversar, mas juro que não dei a menor brecha e ainda assim ela insistiu pra que eu pelo menos olhasse pra ela.
Quando ela me mostrou um relógio, perguntando alguma coisa, eu me levantei bruscamente e saí dali, seguindo pro outro ponto, rua acima. É CLARO que o ônibus estaria chegando ali bem na hora em que eu estivesse ainda longe, e tive de correr com as bolsas...
Entrei, e o motorista/cobrador (trabalhador característico nessa cidade, obrigado a desempenhar duas funções, e onde o transporte público é um monopólio de canalhas, que exploram seus empregados assim como seus usuários, jogando uns contra os outros) disse que o dinheiro não era suficiente. Paguei a diferença, e joguei o resto das moedas pela janela.
Desci na Rodoviária mais mal feita que conheço, e segui pela ridícula rampa que dificulta o acesso de pedestres com bagagens até a outra rampa, que leva até as plataformas. Faltava pouco pro ônibus chegar, esse martírio recorrente em que me encontro, por vontade própria (NOVAMENTE)!!!

Em Londrina, calor. E mais ônibus cheios.

Assisti a uma excelente aula, naquela turma de estranhos. É uma sensação mista de curiosidade e tédio, estar junto de pessoas que você não conhece, não está interessado em conhecer, mas pelo simples fato de estarem onde você está, já denotam um interesse comum. Enfim, a aula acabou e cruzei aquele campus pela alameda central, uma faixa larga de concreto com escadas e paisagens arborizadas, que se intercalam com blocos de tijolos e metal pintado de laranja. À noite, é deserto e fresco, e muito calmo. Queria ficar por lá durante mais tempo, invisível, sem ser incomodado. Assombrando os passantes ocasionais, feito uma lenda urbana macabra. Mas tive de me contentar em ser a vítima de um bando de vira-latas, possíveis mascotes dos vigilantes indolentes daquele campus enorme e dilapidado. Saí do campus por um portão lateral, e logo estava na ruela dos condomínios que exploram os pais dos estudantes, e dos bares que exploram a distância dos bares do centro. Mas é um ambiente estranhamente agradável, com garotas bonitas em grandes grupos, calouros bebendo de pé nas calçadas, um ou outro carro com um som muito alto, e televisão.
Entrei, pedi um litro de cerveja, e fiquei lá por cerca de uma hora. Depois subi pro meu alojamento de favor, e demorei pra dormir.



De manhã, fiquei sabendo que não haveria carona de volta, então mais uma tarde de ônibus cheios, caminhadas com bagagens e esperas. Muita espera. E muitos palavrões entre os dentes. Uma garota tentou me vender uma assinatura de sei lá o que, e disse a ela pra nem tentar, pois eu "não estava lá".

(Fico impressionado como atraio a atenção de qualquer um quando quero ficar em silêncio e não quero ser notado. Devo ter uma espécie de aura. Talvez eu brilhe no escuro.)

A dona da rota entre as duas cidades, uma empresa conhecida por sua mediocridade nos serviços oferecidos, tem duas linhas entre Maringá e Londrina: uma é direta, ou sem paradas no caminho; a outra é, simplesmente, como um trem devia ser, parando nas estações de cada cidade ou conexão. Mas é um ônibus, o que significa que minutos preciosos são perdidos, entrando e saindo de cidades que nem deveriam constar do mapa, como Mandaguari ou Cambira, pra deixar/pegar uma, duas pessoas.
A viagem que costumo fazer em hora e meia, levou pouco mais de quatro. Meu dinheiro, que era contado, acabara em Londrina mesmo, e tive de incomodar um conhecido meu pra me dar uma carona até minha casa, quando cheguei na Rodoviária.

Em casa, comi feito um zumbi num berçário. Fome é sempre devastadora quando estou frustrado. Nem sei como não engordo, já que vivo frustrado. Acho que poderia ser pior, poderia ser gordo E frustrado.

Não sei o que vou fazer nesse fim-de-semana. Queria ficar num lugar bem quieto, sem falar nada, nem ouvir vozes humanas. Estou num período de busca pelo silêncio. Às vezes me esqueço dele, de como é confortável e limpo. Até a luz parece mais clara no silêncio.

sábado, 19 de março de 2011

É Sempre Bom Ter Princípios.

Matar você não seria o suficiente. Deixá-lo vivo enquanto destruo tudo o que você acredita, e elimino sistematicamente todos os que você ama, e apreciar seu desespero enquanto minha sombra encobre todos os aspectos de sua existência, seria como uma epifania, o nirvana para mim. Aquele que disse que vingança não acrescenta coisa alguma à alma, deve ser descendente de baratas. O verdadeiro valor de um homem está em sua capacidade de ferir outros.


Você sabe de quem estou falando.


domingo, 13 de março de 2011

Da Janela do Meu Quarto

É assim que gosto dessa cidade: quando fica bonita à noite, quando os caipiras dormem cedo, nas noites de domingo. A cidade parece até boa.

sábado, 15 de janeiro de 2011

De volta ao exílio.

O pior de se usar máscara é que ela vai se desajustando com o tempo, e às vezes, acaba revelando mais do que o usuário gostaria.
Tenho sido muito paciente com certas pessoas, e tenho engolido certas situações por tempo demais, e em mais uma noite de sexta-feira desperdiçada, fui posto à prova diante de quem não merece nem meus peidos. Não posso imaginar o motivo que me faz ser tão atraente para ser pisoteado e provocado por quem se diz "amigo". Deve ser essa fala mansa e as boas maneiras, talvez atraia os caipiras prepotentes e mal-disfarçados de civilizados, assim como sangue na água faz com os tubarões.
Paciência, fui eu que permiti essa proximidade, o jeito agora é corrigir tudo, simplesmente me afastando.
Me sinto culpado por ser mais velho, de alguma forma como se estivesse sendo sempre julgado por quem mal me conhece e muito menos respeita, e honestamente, nem faço idéia do porque. O fato é que, pra variar, ando com péssimas companhias que só me empurram mais e mais pra baixo. Eu não aprendo, mesmo. Talvez minha função seja justamente a de entretenimento e alívio cômico, e saco de pancadas ocasional. Auto-estima é só um conceito para uma pessoa que agüenta tanta provocação, espancamentos, e sempre volta pra mais.
Eu devo ser um alvo fácil, mesmo.

Preciso dar um jeito nisso, me afastar de vez e juntar um mínimo de dignidade, esperar a raiva que sinto dissipar e o senso de tragédia iminente passar de vez, preciso me concentrar e afastar esses pensamentos horríveis de violência e retribuição, que só servem para que os outros tenham sempre uma vantagem psicológica sobre mim: eu sempre acabo correspondendo às expectativas de quem só me olha como um estereótipo ambulante, me classificando como indigno de participar das piadas internas e brincadeiras "da galera", à não ser quando a piada sou eu, e o freak show tem meu nome no cartaz.
Eu juro que isso vai mudar, e esse ano, vou me valorizar. Nem que me torne um recluso no processo, mas vou deixar essa época de merda pra trás, e me dedicar aos que me querem bem, de verdade. Eu estaria mentindo se dissesse que não faço mais novas amizades, e preciso valorizá-las, deixar pra trás o Círculo da Esterilidade e sua platéia auto-gerada, pois não faço parte daquilo.



Sinto muita falta de quando uma varanda e uma leitura eram suficientes pra mim. Esse negócio de convívio social às vezes só serve pra alimentar minhas neuroses.
Será que um rifle e aulas de tiro são muito caros?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

MÚSICA DE CARA CABAÇO

Dificilmente, sou a pessoa certa para escrever/falar sobre música, por motivos tão óbvios, principalmente para aqueles que me conhecem, que chega a parecer coisa de cara frustrado. Provavelmente por eu ser MESMO frustrado, em vários aspectos da minha vida pessoal, inclusive o da “manifestação cultural”, é que me sinto compelido a escrever um parágrafo ou dois, nessa madrugada, insone e meio bêbado.
Não faz muito tempo, uma conhecida minha me contou que uma pessoa, mais ou menos ligada à “cena” musical dessa cidade de bosta, lhe disse que eu não deveria ficar expressando minhas opiniões sobre coisas que eu não domino, ou não conheço “a fundo”, pois, de acordo com essa pessoa, eu não tenho (teria) o conhecimento necessário pra criticar. Pois bem, a pessoa em questão, não apenas canta em uma banda cover desacreditada e pouco freqüente, como seu “projeto de música própria” nunca tocou em nenhum evento que se preze, tendo aparecido apenas em festinhas e nos próprios ensaios, nada que envolvesse uma divulgação de fato, ou sequer resenhas em bloguinhos de gente muito mais frustrada e maldosa do que eu, com muito mais ódio no coração. Essas coisas não me alimentam mais nem a curiosidade, mas em madrugadas como essa, quando só quero ouvir Kiss e GOSTAR disso, fico pensando na minha infância rica e saudosa, no Rio, e na minha adolescência pobre e cercada de caipiras, aqui no gulag.


Ainda ando com caipiras, não posso evitar, afinal de contas é isso, ou o ostracismo bêbado dos dezenove anos, de antes da época em que percebi que posso me fazer passar por um deles; seguir à risca o ditado “se agires como um imbecil, ele o tratarão com a um semelhante”, o que explica meu flerte com RPG e outras manifestações de eliminação do ego em detrimento de um arremedo de vida social. Anos após essa fase triste, pessoas que cheguei a considerar amigas declararam que “não fosse o RPG, hoje em dia estariam internadas”, ou qualquer coisa assim. Fico pensando que, se não fosse o RPG eu não teria tido o desprazer de ter travado conhecimento com algumas das PIORES pessoas que devem ter nascido, sub-gente que se odeia tanto a ponto de projetar seus preconceitos de jeca em pessoas bem mais cultas e capazes do que eles, e se considerarem uma espécie de elite, e essa merda toda... O mesmo vale pra maioria dos auto-intitulados fãs de história em quadrinhos, gente baixa e fedida.
Mas, mesmo com essa bagagem de péssimas influências e desastrosas relações sociais, e longas conversas onde eu prendia a respiração, por educação, e fazia uma cara de normalidade enquanto era pulverizado pelo mau-hálito visceral de pessoas de formação questionável, nada me preparou para a possibilidade de envelhecer no mesmo mundo de gente ainda mais mal-amada, ainda mais triste, e, estranhamente, tão cheia de si: blogueiros de música.


(fim da parte 1)


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Serenity In Murder

Eu nunca tive amigos.

Hoje em dia, sei disso há bastante tempo. Mas juro que houve um tempo em que acreditava no contrário. Eu era mais jovem, mais idiota, e vivia cercado de gente que, salvo raras exceções, não poderia se importar menos com o que eu pensava, ou como me sentia.

Ainda tenho contato com gente assim. Mesmo que nos últimos dois anos eu tenha conseguido me afastar de muita gente que nunca acrescentou coisa nenhuma que valha a pena em minha vida, ainda tenho laços a cortar. E talvez, tenho pensado, parar de beber seja um bom incentivo para continuar este processo de afastamento e recuperação.

Sinto-me como um desses ex-viciados que encontram a redenção numa mancha no vidro do freezer da loja de conveniência, quando todas as manhãs a imagem no espelho me cobra pelos anos em que desviei o olhar e negligenciei meu ego em detrimento de um convívio social que não valeu muito, agora que posso olhar para tudo aquilo de uma distância considerável. A maioria das situações, assim como a maioria das pessoas a quem me associei a partir de determinado ponto da minha juventude pouco fizeram para que eu me sentisse, de fato, parte de... do que quer que fosse. Longos anos de exposição a diversos tipos de humilhação e auto-anulação somente para não ficar sozinho. Medo do escuro, talvez.

Vivo em um lugar do qual nunca vou gostar, e cansei de tolerar. Pessoas que deveriam me confortar preferem, freqüentemente, me confrontar sob diversos pretextos: tem gente que não consegue entender que posso enxergar através de QUALQUER UM, e que muito pouco me escapa, tamanho o meu conhecimento do caráter e da índole dos caipiras brancos junto aos quais fui obrigado a crescer.

Sei que me odeiam pelo meu sotaque, minha aparência física, roupas, atitudes, este blog e meu uso constante de expressões como... “caipiras brancos”. Assim como sei que me invejam a distância por motivos que nunca vou entender. Os que se aproximam o bastante pra fingir simpatia e ensaiar alguns elogios vagos parecem mais odiosos em sua insinceridade.

Mas ninguém me inspira mais a escrever essas coisas do que você.

Você, você mesmo, que se doeu quando leu a frase acima, você que provavelmente chegou até aqui por algum link enviado discretamente em alguma conversa no MSN com outro caipira branco que esteve aqui, ou que talvez até já tenha vindo aqui antes para se certificar de que não era de você que eu estava falando quando disse que essa cidade era a Capital das Bandas de Bosta, ou que entrou somente para achar munição para me odiar ainda mais por eu ter te chamado de mauricinho pau no cu, é EXATAMENTE de você que estou falando...

Você, que me inspira a ter fantasias de genocídio e notoriedade sangrenta, me inspira a me tornar um estereótipo de filmes ruins sobre serial killers. Você, que não deveria ter cruzado meu caminho. Você, que só se lembra de mim quando lhe é conveniente, quando precisa de algum idiota para fazer algum servicinho idiota e humilhante (e normalmente sem remuneração!), ou você que até respeita meus talentos, mas se recusa a pagar por eles (além de uma mal disfarçada gorjeta). É, você. Todos vocês...

Tenham muito cuidado. E mantenham uma distância profilática, pois eu sou um homem muito doente.


(Será que é necessário acrescentar que sei diferenciar os falsos dos sinceros? Bem, por via das dúvidas, se você não se encaixa acima, é sempre bem-vindo em minha casa, ou minha mesa.)